Arquivo para agosto, 2009

Aviões

Posted in Cotidiano with tags , , , , on 08/30/2009 by vohfumada

Quando eu era pequena vinha pra São Paulo com uma certa freqüência. Era legal, íamos pro Mc Donald’s, aquele perto do aeroporto de congonhas. Sempre era aquele porque, além de ser no caminho de volta pra Santos, tinha aviões. Os aviões pousavam sobre nossas cabeças, faziam barulho, tremiam a terra.
São Paulo tinha avião, Santos não tinha. Quer dizer, ter até tinha, mas lá no alto, lá longe, só dava pra ver direito na praia. São Paulo não, tinha aviões em tudo quanto é lugar. Passa um aqui, outro passa logo mais acima, passa mais outro ali. Decola, pousa, leva e traz.
Todo o dia na minha janela eu vejo os aviões passarem. A cada 10 minutos mais ou menos um se prepara para pousar. Não é tão perto a ponto de tremer a terra, mas é perto o suficiente para ouvir o barulho do vento. Enquanto os aviões vão e vêm eu crio cada dia mais raízes. É faculdade, emprego, amigos, namorado, vida, apartamento, carro (um dia, quem sabe).
Ai que vontade de viajar.

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Vergolha alheia mode on

Posted in internet with tags , , , on 08/30/2009 by vohfumada

Eu acho que eu teria gargalhado numa situação dessas….

Luiz Hygino para oitavo integrante do CQC

Posted in internet with tags , on 08/22/2009 by vohfumada

Eu estou torcendo por ele!

Visitas no VohFumada

Posted in Questoes da Humanidade with tags , , , , on 08/18/2009 by vohfumada

Vohfumada, por No Senso Sociais

Edição : “Desanoiteço no teu todo de mulher – pra quem se apaixonar por uma mulher”

Estranho não conhecer uma pessoa e querer estar com ela. Quando digo não conhecer, me refiro a um contato mais próximo, como uma amizade, por exemplo. Eu gosto sem nunca ter tocado. Aliás, eu estou apaixonada sem nunca ter tocado. Dizem que se apaixonar é coisa imatura e desproporcional; bom isso, porque eu, pelo menos, acho ótimo ser desproporcional em muitas coisas e muitas vezes na vida.

Não sei por onde começar: se me aproximo, se me distancio, se digo que sim, se fico triste ou feliz. Às vezes penso em simplesmente chegar na frente dela e dizer: “tá a fim de sair comigo?”, assim mesmo, de sopetão. Às vezes acho que eu perdi mesmo a noção da vida social e penso que seria melhor chegar devagar, me insinuar, prender, morder e assoprar. Mas penso que a sedução por si só é tão gostosa que eu posso me perder no caminho e largar de mão do que eu realmente quero.

Seria tão legal poder me entregar e ver no que vai dar, sem controle. Mas eu fico com vergonha só de pensar em dizer qualquer coisa que deixe mais óbvio o que já está. Se está óbvio, e ela não disse nada, é porque não tem qualquer correspondência. Ou então, óbvio só está pra mim, que fervo isso há algum tempo aqui dentro, e já não agüento mais represar todas essas sensações.

Será que existem pessoas impossíveis? Pessoas por quem nós não poderíamos pensar em nos apaixonar? O chefe, o primo, o professor, o melhor amigo ou uma pessoa do mesmo sexo, por exemplo? A diferença (grande) de idade realmente emperraria um relacionamento afetivo-sexual entre duas pessoas (ou mais, porque eu sou moderna =] )? As vezes penso como eu reagiria se uma pessoa 18 anos mais nova que eu se apaixonasse por mim e quisesse sair comigo… Será que eu sou tão livre das pressões sociais quanto penso?

Por fim, o tormento: digo ou não digo? Parto pro “tudo ou nada” ou sigo em frente almejando relacionamentos mais possíveis?

Mas eu to feliz, como é próprio das pessoas (idiotas) apaixonadas.

Momentos “eu queria estar lá”

Posted in Música, Questoes da Humanidade with tags , , , , on 08/16/2009 by vohfumada

Podem falar mal do U2, mas eu queria estar lá.

A dúvida de Luís

Posted in Cotidiano, Questoes da Humanidade with tags , , on 08/11/2009 by vohfumada

“Bom, mas naquele dia eu estava na dúvida entre chamar a Di ou a Carlinha pra sair” me disse Luís.

Luís e a Carlinha namoraram durante dois anos. Na verdade, nós nos conhecemos porque eles namoravam. Começamos a sair juntos, nos tornamos amigos, namorei um dos melhores amigos do Luís por quase um ano, conheci a família dele, a família da Carlinha também conheceu a família dele, almoçávamos juntos nas festas de aniversário, fui no casamento da irmã do Luís, que por acaso casou com o primo do Alex que também era da nossa turma, meu ex-namorado, amigo do Luís, foi como meu acompanhante, chegamos a viajar todos juntos pro litoral norte, eu, a Ana, o Alex, o Hugo, a Larissa, o Mantega, a Di, o Barbosa, a Ju e, é claro, o Luís e a Carlinha.

Toda a estrutura social da nossa turma se formou baseada na CarLuís, a turma da Carlinha ( a que eu pertencia) se juntou com a turma do Luís, saíamos juntos e muitas amizades e histórias se fizeram. E agora o Luís me fala que, na verdade, gostaria de ter saído com a Di.

“Não é que eu queria sair com a Di, na verdade eu só não sabia com qual das duas eu saia, eu queria sair com as duas, mas só podia sair com uma das duas”.

A Di e a Carlinha são amigas desde o colégio, mas elas não têm muito a ver. A Carlinha é loira, a Di é morena, a Carlinha sempre chamou a atenção de todos, a Di sempre foi mais discreta, a Carlinha é mais do tipo “gostosa”, a Di é mais magra, a Carlinha sempre foi ciumenta, a Di sempre foi tranquilona, a Carlinha sempre foi insegura, a Di sempre confiou no seu taco, a Carlinha gosta de cinema, a Di gosta de bar, a Carlinha não fuma, a Di fuma, a Carlinha trabalha num escritório, a Di é professora de artes.

“Como assim você queria sair com as duas?” perguntei

“É o seguinte: eu conheci a Di antes da Carlinha e já pensava em sair com ela faz tempo, só que ai a Di me apresentou a Carlinha e eu achei ela também muito bonita…”

“Prossiga.”

“Então, ai chegou um belo dia eu estava no MSN com as duas, e não sabia qual das duas eu ia chamar…”

“E por que você chamou a Carlinha?”

“Porque a Di ficou offline do nada!”

Na verdade, ninguém sabe por que ela ficou offline. Muitas vezes a falha da conexão do Speedy, ou a mãe dela chamou ela, ou faltou luz no prédio dela ou o cachorro desligou o estabilizador e ela desencanou de voltar.  Eu não gosto de pensar as implicações sócio-demográficas na vida de nós todos se o Luís tivesse chamado a Di, e não a Carlinha, para sair naquele dia. Talvez eles tivessem saído uma ou duas vezes e ele depois acabasse saindo com a Carlinha, talvez eu tivesse namorado o melhor amigo do outro namorado da Carlinha, talvez o namoro com a Di tivesse dado muito mais certo do que com a Carlinha… vai saber.

Poema perdido

Posted in Cotidiano, Devaneios with tags , , , on 08/11/2009 by vohfumada

verao2006

A gente quando está apaixonada se mete a escrever poesia. Eu, particularmente, nunca tive muito saco para ler poesias. Elas me cansam, eu não tenho a sensibilidade da leitura cantada tampouco a paciência para a degustação dos versos (me chamem de assassina, podem falar).

No entanto aquele verão de 2006 tudo foi diferente. Meus dias eram embalados por Cazuza, banco imobiliário e ansiedade; minhas noites por vinho, Rolling Stones, risadas e alguns gemidos. Foi um período bacana da minha vida, fruto da minha inocência e da falta de calo com os assuntos referentes ao coração, fruto de uma irresponsabilidade saudável de quem acabou de terminar o colégio e ainda não deve nada a ninguém, fruto de férias mais que merecidas de um namoro anterior e das frustrantes provas do vestibular.

Se teve um período da minha vida em que eu fui motivada a escrever algo, certamente foi aquele.

Naquela época, inocente como era, o encanto me permitiu escrever um dos melhores poemas que eu já escrevi, senão o melhor. Era um poema que narrava com alguns detalhes momentos daquele verão, no qual por alguma dádiva momentânea paranormal consegui expressar o meu estado de espírito radiante, alegre, curioso e emocionado. Tudo era novo, minha vida estava igual, no entanto estava tudo fadado a mudar. Eu vivia em um limbo, cujas aventuras presentes antecipavam as futuras, o que só me dava mais vontade de viver intensamente cada momento daquele resto de verão que ainda me sobrava.

Queria mostrar esse poema a um amigo. Olhei meus arquivos para achá-lo e nada. Entrei em blogs que eu comentava no verão de 2006 para tentar encontrar o blog que eu escrevia naquela época. Em vão. Meu antigo blog foi desativado e minha memória mais intensa e viva do verão de 2006 consiste em lixo virtual, perdido em clusters inúteis do weblogger.

Talvez tenha sido melhor assim, talvez o verão de 2006, assim como meu poema, soem muito melhores na minha cabeça do que realmente foram. Talvez meu amigo olhasse meu poema e pensasse “Que merda, coisa de uma garota apaixonada”. Tenho ressacas daquele verão. Dali pra frente o limbo que seria aquele ano só se acentuou, o verão de 2007 já seria marcado pelas batidas, já não tão inocentes assim, do meu pobre coraçãozinho novamente apaixonado, pelos risos de novas amizades feitas, pela expectativa da minha nova vida em São Paulo.

Mesmo assim, com tanta coisa que veio depois, não me culpem por não esquecer aquele verão de 2006. É a crise da faculdade, velhice antecipada, hormônios ou qualquer coisa assim.